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Yorkshire

Filhotes de Yorkshire

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Etimologia e significado

A nomenclatura desta raça passou por variações desde o seu reconhecido surgimento até aparecer oficialmente em um clube específico, no ano de 1898. No começo, foi chamado de “terrier escocês”, devido a origem dos terriers em geral e ao êxodo dos escoceses para as cidades inglesas. Mais tarde, deixou de se chamar “terrier escocês de pelo curto e yorkshire”, para passar a chamar-se “terrier escocês anão de pelo longo”. Afinal, por volta de 1870, recebeu o nome atual, que se refere à região onde se iniciaram os cruzamentos que dariam origem à raça.

De acordo com o dicionário de língua portuguesa, yorkshire terrier é classificado como “raça de cães de companhia muito pequenos, de pelo comprido e sedoso.”, ao passo que terrier restringe um pouco mais o significado do york: “nome comum a vários cães, comummente pequenos e baixos, outrora usados na caça de animais de pelo pequenos, mas hoje mantidos principalmente como animais caseiros de estimação.”

Proximidade com o lobo

A proximidade do yorkshire com o lobo pode ser superficialmente traçada se contar sua “data de nascimento”. Bem como a maioria das raças, a york foi desenvolvida no espaço compreendido entre os séculos XVII e XIX, sob cruzamentos seletivos e específicos, de acordo com as necessidades e agrupamentos humanos, o que eliminou boa parte de suas características. Entretanto, é sabido que o terrier tibetano é uma raça terrier mais antiga e mais próxima ao lobo que o pastor alemão, grande e de aparência lupina.

Os cruzamentos seletivos geraram ainda uma outra peculiaridade: procura-se mais por “eternas crianças”, que por características de um lobo, ou seja, o homem prefere um animal com traços comportamentais de um filhote, que de um líder selvagem; procura por um membro da família e não um membro de matilha. Em pesquisa realizada entre dez raças caninas, um dos representantes dos terriers atingiu nota três em quinze pontos de proximidade comunicativa com seu ancestral, fruto esse advindo da seleção artificial imposta por criadores. Isso significa que, quanto menos pontos, mais infantil é o canino.

 

Os sentidos

Membro da família dos canídeos, estes animais compartilham os sentidos como características físicas, com as raposas e os coiotes, por exemplo. Ainda que seja fruto de seleções artificiais reconhecidamente recentes, os yorkshires fazem parte de uma família de predadores, detentores de sentidos apurados, que não se perderam após seletivos cruzamentos. Seus sentidos sensoriais são cinco – olfato, visão, audição, paladar e tato

O olfato é um dos principais sentidos do yorkshire. Sua sensibilidade advém de ramificações dos nervos olfativos na cavidade nasal e é 32 vezes maior que a de um ser humano, embora seja considerada bastante inferior que a de um beagle, dito um dos melhores farejadores entre os cães. Como característica mais importante deste sentido está a identificação individual, que funciona para o yorkie como impressões digitais, já que cada animal possui um grande número de fendas nasais permanentes, que capturam cada cheiro individualmente. Sua audição é outro sentido bem desenvolvido, capaz de ouvir sons de alta frequência e baixo volume. Suas orelhas, artificialmente eretas, são direcionáveis, o que facilita a localização do som. Sua sensibilidade auditiva o permite ainda discernir palavras.

Sua visão é também apurada, além de possuir boa visão noturna. Seu campo de visão é menor que a de um pug, que tem olhos bem periféricos, embora ainda assim seja amplo. Sua visão é descrita como bicromática – distinguem bem apenas o amarelo e o azul – somada ao branco e preto. Apesar de conseguirem captar movimentos com maior facilidade, não possuem desenvolvida capacidade de foco. É ainda através da visão, que muitos cães demonstram traços comportamentais. Além de doenças comuns, algo capaz de prejudicar este sentido é a sua longa franja. O tato é classificado como pouco desenvolvido, sendo fundamental para a relação afetiva. Já o paladar, outro sentido pouco desenvolvido, justifica a capacidade canina de consumir diariamente sempre o mesmo alimento.

 

Envelhecimento, comunicação e locomoção

Este canino vive uma média variável entre doze e quinze anos, o que, se comparado a cães maiores, é mais longa. Contudo, o processo de envelhecimento é ainda objeto de estudos e uma nova teoria foi elaborada para tentar explicar as variações. Como cão de porte pequeno, o resultado obtido para o yorkshire foi a soma dos cinco primeiros anos caninos para um ano humano. A partir deste ponto, são então contados quatro anos de um cão pequeno para um vivido pelo homem, ao passo que os cães maiores, de maturidade mais lenta, tendem a envelhecer mais rapidamente. Isso ocorre devido às diferentes fases de maturidade do cão. Enquanto um yorkshire atinge seu peso máximo em geral aos quatro meses de idade, um são-bernardo necessita de, no mínimo, dezoito meses para chegar aos 60 kg, e suas exigências alimentares para o crescimento saudável são enormes. Com base nessas afirmações, pode-se dizer que um york nascido no mesmo dia e ano que um homem tenha, cinco anos humanos mais tarde, 21.

Yorkshires de idade avançada tendem a sofrer com doenças, dores e alterações comportamentais. Por essa razão, é importante dar atenção às mudanças da idade para suprir as novas necessidades. Entre os principais males que podem acometer os idosos yorkshires estão o nervosismo, a ceratoconjuntivite seca e os problemas ósseos, além de doenças e problemas comuns às demais raças, como o mal de Alzheimer e a depressão, a perda de tonicidade cardíaca e da flexibilidade articular. Fora isso, a visão e a audição prejudicadas, a quietude e o esbranquiçamentos da pelagem são fatores do envelhecimento descritos como normais.

Ao contrário do basenji, que se comunica essencialmente através de uivos, os yorks, como cães de temperamento excitado e ativo, preferem os latidos como meio principal de comunicação com o ser humano e com outros caninos. Ademais, usam também da linguagem corporal para expressarem medo, ansiedade, interesse, alegria e outras emoções, e para se socializarem, já que são animais gregários. Por terem o gosto pelos latidos, o yorkshire pode passar por medidas corretivas, vistas pelo ser humano como soluções. Entre as medidas mais comuns estão o uso de coleiras antilatidos e os jatos de citronela no focinho.

Sua locomoção dá-se graças a seus sistemas ósseo, articular e muscular. Quadrúpedes, os yorkshires usam de suas duas alturas para andar. Seu sistema neuro-muscular exerce as funções de contração e relaxamento, graças a ligação ao sistema nervoso e as articulações. Em suas patas, os coxins são parte da pele, a única com glândulas sudoríparas, o que ajuda a mantê-las flexíveis para tornar o andar mais preciso, devido à sua capacidade de aderência e adaptação. Os coxins são também pouco sensíveis, facilitando quando em situações rigorosas. A locomoção do canino recebe um nome diferenciado, chamado andadura, que constitui o ritmo e o modo de andar do animal. Nos yorks, que possuem suas patas viradas para frente, a andadura comum é a fácil.

 

Saúde

Como cão pequeno e fabricado para fins específicos, em particular na era moderna, o yorkshire requer cuidados diários diferenciados, em acordo com suas necessidades e fragilidades.

 

Alimentação e pelagem

O yorkshire é um onívoro como os demais cães e é capaz de comer o mesmo que os seres humanos, exceto doces e chocolates, que podem lhe causar diabetes, obesidade e até mesmo o levar ao óbito. Contudo, por ser um animal de companhia e visivelmente frágil, é recomendada apenas a alimentação feita com ração seca, que supre todas as suas necessidades. Como canino de pequeno porte e reconhecidamente ativo, em geral, os yorkshires necessitam de 210-240 kcal diárias. Fazem parte de sua dieta básica as proteínas e a gordura, que contemaminoácidos essenciais e ácidos graxos, além de proporcionarem o transporte de vitaminas lipossolúveis, como as A, D, E e K. Especificamente para estes diminutos animais, está a necessidade superior de cálcio, devido à fragilidade advinda do tamanho de seus ossos.

Já os cuidados com a pelagem vão desde o asseio ao grooming (escovação). Alguns exemplares são mais facilmente manuseados e penteados que outros, devido às suas diferentes personalidades comportamentais e pelagem, umas mais ralas e curtas que outras. Seu corpo deve ser escovado para permitir que a pele respire e para manter o animal saudável, já que durante a escovação retira-se galhos e busca-se por insetos, checa-se as orelhas e trata-se os olhos. Os banhos são sugeridos como semanais, já que a escovação os mantém limpos. Seu pelo pode secar ao vento, mas é aconselhado o uso de um secador, para que realmente seque até a raiz e impeça a proliferação de bactérias.

 

Comportamento e relacionamento com o homem

A inteligência canina é campo ainda sob estudos. Contudo, uma das listas mais conhecidas foi a elaborada pelo pesquisador e neuropsicólogo, Stanley Coren, na qual divide a inteligência dos cães em três: adaptativa (capacidade de resolver problemas), instintiva (comportamento ditado geneticamente) e de obediência (capacidade de obedecer a comandos). Nesta listagem, o yorkshire terrier ocupa a 27ª posição, ao lado dochesapeake bay retriever e do puli, sendo classificado o mais inteligente entre os terriers, duas colocações a frente do segundo representante deste grupo, o airedale terrier, bem como qualificado como um cão de trabalho acima da média.

Sua personalidade, apesar do tamanho reduzido, é em geral vista como aventureira. É ainda classificado como um pequeno animal cheio de energia, bravo, leal e esperto. Ainda sob aspectos gerais, é um canino de temperamento descrito como carinhoso e afável, características primordiais para o sucesso como cão de companhia em lares ao redor do mundo. Por seu tamanho, é capaz de conviver com crianças, embora não aprecie o convívio com outros cães, já que é um animal territorial. Tal adjetivo o torna um bom cão de guarda, sempre alerta e atento, apto a dar sinal ao menor dos ruídos. Esta qualidade é também vista como um defeito, já que o alarme é dado através de latidos constantes. Qualificado como ativo, é ainda independente, já que não tem como preferência ficar no colo de seu dono, embora não goste de passar muito tempo sozinho. De acordo com classificação geral de adestramento canino, o yorkie é um animal que apresenta desafio de obediência moderado a donos inexperientes.

Presente nos lares desde a Revolução Industrial, é um cão bastante popular ainda nos dias de hoje, sendo considerado o cão de raça miniatura mais popular do mundo. No Brasil é desde 2001 a raça número um; Em 2007, figurou como a terceira raça mais popular em Portugal; E, em 2009, foi eleita a terceira raça mais popular em todo o mundo, embora, três anos antes, também tenha sido o primeiro colocado em lares da Espanha.

Versáteis e facilmente adaptáveis, estes são animais criados para viverem dentro de um apartamento ou em uma fazenda. No entanto, requerem cuidados não importando onde seus donos desejem morar. Até os seis meses de vida ou até que seja vacinado, é indicado que o yorkie permaneça dentro de casa, a fim de evitar doenças e o próprio ambiente externo em si, no qual poderá cavar, rastejar e fuçar. Como animal ativo, necessita ainda de exercícios diários, não apenas para desenvolver sua musculatura e suas habilidades instintivas, mas também para manter-se calmo e obediente, o que evita o estresse e, consequentemente a depressão.

 

Os yorkshires na cultura humana

Os yorkshires são presença constante na cultura humana desde que surgiram como caçadores em miniatura na Europa. Úteis, foram usados como rateiros nas sujas vilas britânicas que nasciam ao redor das grandes fábricas. Ao notar sua eficiência enquanto trabalhador, o homem passou a usá-lo em competições de rateiros em bares da região de Yorkshire: quanto maior o número de ratos apanhados, maior era o valor do vencedor. Atrelado a este valor estava também a busca por cães menores, mais ágeis, belos e versáteis, sempre com o foco no lucro. Quando por volta de 1859 surgiram as primeiras exposições, os pequenos cães já eram os favoritos na Inglaterra, sendo então acasalados entre si, para gerarem exemplares ainda menores e puros.

Após os esforços de aperfeiçoá-los, os yorkshires começaram a conquistar inúmeros títulos e prêmios ao redor do mundo em pistas de glamoure exposições de raças. Do maior campeão da raça e um dos primeiros a se destacar permaneceram seus trinta filhotes, cujo padrão é bastante semelhante ao estabelecido pela FCI e cujo neto conquistou o primeiro título norte-americano em exposições.

Bem como ocorrido com inúmeras raças, a yorkie teve sua criação prejudicada durante a Segunda Guerra Mundial, quando praticamente parou de ser desenvolvida após se tornar popular na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. No entanto, sem sofrer com inúmeras baixas ou com o perigo da extinção, sua criação foi retomada com o fim da guerra, em 1945. Famoso, tornou-se o cão ideal de muitos lares, fosse por sua beleza, fosse por sua personalidade. Por vezes considerada uma raça da moda, pode ser facilmente visto na companhia de celebridades como Xuxa e Gisele Bündchen

Entre os yorkshires que se destacaram na sociedade humana, pode-se citar Smoky, que serviu na Segunda Guerra Mundial. Encontrada em 1944 por um soldado norte-americano na Nova Guiné, pensou-se que ela pertencia aos japoneses. Como a cadela não entendeu nenhum dos comandos na língua oriental, bem como na língua inglesa, foi vendida ao Cabo William A. Wynne. Smoky acompanhou-o em campo de batalha, acondicionada em sua mochila durante as patrulhas aéreas. Tendo aprendido truques, passou a entreter as tropas durante as viagens da Austrália à Coreia. Com o fim da guerra, mudou-se para os Estados Unidos com seu dono, onde teve sua história contada em um jornal e onde acabou por tornar-se famosa. Por dez anos Smoky viajou por todo o país fazendo apresentações e aparecendo em programas de TV. Faleceu em 21 de fevereiro de 1957, aos aproximados quatorze anos. Em 11 de novembro de 2005, Dia do Veterano, foi inaugurado um monumento no Cleveland Metroparks, na Reserva de Rocky River, em Ohio, em sua homenagem. A escultura mostra a cadela sentada dentro de um capacete de guerra. Em Cleverland existe ainda um memorial, no qual vê-se sua foto e lê-se a seguinte passagem: O menor soldado da Segunda Guerra Mundial e o mais famoso cão de guerra.

Outro destacado yorkshire foi Blairsville Royal Seal, também conhecido por “Tosha”, apelido ganho de seus admiradores. Criado por seu proprietário Sr. Brian Lister e sua esposa, Rita, foi considerado o “rei entre os cães”. Tosha ficou conhecido por sua presença, sentida até mesmo por um novato. Seal foi um dos mais famosos cães de pista de todos os tempos e, durante sua carreira de exposições, conquistou 50 CCs, sob os olhos de 50 juízes diferentes; foi best in show por 12 vezes, e por 16 vezes reserva de best in show; conquistou 33 prêmios de Melhor de Grupo; e foi ainda o Top Dog de todas as raças durante dois anos consecutivos, tornando-se assim o antepassado de muitos campeões, caracterizando, ainda hoje, um diferencial nos pedigrees de alguns yorkshires atuais. Morreu aos quinze anos de idade, em 1988, mesmo ano em que seu recorde de CCs fora quebrado por Osman Sameja, que encerrou a carreira com 52, embora admita-se hoje que alguns resultados foram duplicados.

Algo bom ou ruim para seu desenvolvimento como raça, outros três yorkshires ficaram famosos após figurarem, em 2005, no Livro dos Recordes como os menores cães vivos do mundo: Pequeno Pinóquio e Whitney foram marcados com, respectivamente, 10,3 cm no comprimento e 7,6 cm na cernelha. No entanto, como de fato o menor cão do mundo em ambas as medidas, esteve o yorkshire do britânico Arthur Marples, que adulto mediu 9,5 cm no comprimento e 7,11 cm na cernelha. No cinema, figurou ao lado de Audrey Hepburn em Funny Face; Na tv, esteve ao lado de Carmen Electra no programa Til Death Do Us Part: Carmen and Dave; E na literatura, foi Yorky em Fred Basset de Alex Graham.

Fonte: Wikipedia